Os Olhares e a Revolução Síria

Síria, a revolução desconhecida
das mulheres

Olhares do Mediterrâneo – Women’s Film Festival apresenta um ciclo itinerante de cinema sobre a revolução feminista no Rojava (Curdistão sírio): quatro filmes, quatro lugares, quatro conversas para conhecer uma experiência de democracia radical de que ninguém fala.

Em 2011 a Primavera Árabe chega à Síria. Mulheres e homens saem à rua para pedir liberdade e democracia. Uma revolução pacífica reprimida com violência brutal, que rapidamente se torna numa guerra civil a geometria variável entre o exército do governo, os rebeldes democráticos e os islamistas radicais.

Em 2012, no norte do país, as mulheres curdas (minoria historicamente oprimida) pegam nas armas e criam as Unidades de Defesa das Mulheres, às quais rapidamente se unem mulheres dos outros grupos étnicos e religiosos da região. Juntamente com as Unidades de Defesa do Povo, formam as Forças Democráticas Sírias, que irão derrotar as milícias governamentais e islamistas, criando a Administração Autónoma do Rojava.

Começa uma experiência política que vai muito além da guerra armada: o Confederalismo
Democrático. Trata-se de um projecto de utopia concreta baseado na libertação das mulheres, na democracia participativa, na convivência interétnica e na ecologia.
Um projecto revolucionário no coração do Médio Oriente que funda a libertação de todas e todos na demolição do patriarcado.

Neste ciclo de cinema apresentamos as obras de duas realizadoras curdas e duas europeias, para conhecer de perto as aspirações, conquistas e derrotas desta revolução pelas vozes das suas protagonistas.
Cada projecção será seguida por uma conversa com convidadas e convidados que ajudarão a perceber melhor a “revolução das mulheres” numa altura de grande incerteza sobre o futuro, devido aos recentes desenvolvimentos políticos e militares na Síria.

PROGRAMA
19 Março, 10h | Auditório do Liceu Camões
Berbû – The Wedding Parade, de Sevinaz Evdike
Síria, Fic, 2022, 70’
Língua: Curdo / Legendas: Português
+ info sobre o filme AQUI
Trailer AQUI

Em Serê Kaniyê, uma cidade na fronteira entre a Síria e a Turquia ameaçada pela guerra, três jovens curdas, Gule, Barin e Naze, planeiam as vidas com que sempre sonharam, presas entre a cultura patriarcal e a devastação da guerra. Quando as primeiras bombas atingem a cidade, as três são obrigadas a fugir, enfrentar um novo destino e imaginar um futuro diferente. Uma história de ficção, baseada em factos verdadeiros.

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26 de Abril, 16h | Casa Capitão
Jinwâr – A Aldeia das Mulheres, de Nadja Derwis
Síria, Doc, 2024, 41’
Língua: Curdo / Legendas: Português
+ info sobre o filme

Jînwar é um espaço auto-suficiente para a vida livre das mulheres. Foi criado com determinação, coragem e esperança em Rojava (Administração Autónoma do Norte e Leste da Síria) em 2016, durante a guerra. O documentário, produzido pela Rojava Film Commune, acompanha a criação e o desenvolvimento da aldeia, oferecendo um vislumbre da revolução feminista, anticapitalista e anti-extractivista em curso em Rojava.
Entrada livre, por favor, preencha o formulário

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23 de Maio, 16h | Casa do Comum
On the Other Side of the River, Antonia Kilian
Síria/Alemanha, Doc, 2021, 92’
Língua: Curdo, Árabe, Alemão / Legendas: Inglês
Entrada livre

Hala, de 19 anos, foge de um casamento arranjado atravessando o rio Eufrates para encontrar um novo lar numa Unidade Curda de Protecção das Mulheres, uma unidade que, pouco tempo depois, irá libertar a sua cidade natal, Minbij, do Estado Islâmico. Para as suas companheiras de armas, o inimigo não é apenas o ISIS, mas o patriarcado em geral, e consideram o casamento a instituição opressora por excelência. As brutalidades que estas jovens mulheres sofreram às mãos dos seus maridos e no seio das suas próprias famílias levam-nas para o outro lado do rio, onde são treinadas em combate e educadas nos ideais feministas do Movimento das Mulheres Curdas. Hala é profundamente inspirada por estes ensinamentos e dedica-se com todas as suas energias à promessa de libertar mais mulheres e, mais ainda, libertar a todo o custo as suas irmãs.

19 year-old Hala escapes an arranged marriage by crossing the Euphrates River to find a new home at a Kurdish Women’s Protection Unit – a unit which soon after liberates her hometown of Minbij from the Islamic State. For her female fellow soldiers, the enemy is not just IS, but patriarchy in general, with the ideal of marriage as the ultimate oppressive institution. The brutalities these young women have experienced at the hands of their husbands and within their own families lead them to the other side of the river where they are trained in combat and educated in the feminist ideals of the Kurdish Women’s Movement. Hala is deeply inspired by these teachings and resolutely dedicates herself to
the promise of not only freeing more women, but also liberating her sisters at all costs.

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18 de Junho, 19h | Good Company Bookstore

Blooming in the Desert, Benedetta Argentieri
Síria/Itália, Doc, 2020, 30’
Língua: Curdo, Árabe / Legendas: Inglês
Entrada livre
+ fotos

Ao longo dos séculos, a cidade de Raqqa foi testemunha do surgimento e da queda de muitos impérios. Depois de ter sido conquistada pelo Estado Islâmico, em 2013, a violência e as atrocidades tornaram-se uma realidade quotidiana, e as mulheres foram obrigadas a cumprir rigorosamente as regras da sharia. Em 2017, as Forças Democráticas Sírias (SDF) libertaram a cidade e os seus arredores. Raqqa renasceu e, desta vez, foram as mulheres a liderar a mudança e a construir um novo futuro. No documentário, conhecemos Maryam, que lidera o Gabinete da Administração das Mulheres, Awaft, que trabalha na Câmara, e Hind, uma cantora e música, que pode finalmente liderar uma banda e atuar em concertos públicos.

The city of Raqqa has seen empires rise and fall over the centuries. After it was conquered  by the Islamic State in 2013, violence and atrocities were committed on a daily basis, and  women were forced to comply with strict sharia rules. In 2017, the Syrian Democratic  forces (SDF) liberated the city and its surroundings. Raqqa was born again, and this time women were leading the change and building a new future. In the documentary we meet Maryam, who leads the Women’s Administration Office, Awaft, who works in the  municipality, and Hind, a singer and musician, who can finally lead a band and perform in public concerts.